Serão os recibos um perigo para a saúde pública?

A notícia foi veiculada pelo website Medical Daily, e dá conta de elevados níveis de BPA nas mãos de indivíduos que manipularam recibos de máquinas registadoras. Que este fenol é utilizado no fabrico de papel térmico como o utilizado em máquinas registadoras e outras aplicações, já se sabia.
Ao mesmo tempo, as autoridades de saúde Europeias e Americanas haviam já expressado algum receio nos efeitos nefastos que este químico tem para a saúde humana, mas haviam até agora considerado que os níveis normais presentes na alimentação não colocavam riscos para os consumidores.
Uma equipa de investigadores revelou agora os surpreendentes resultados de um estudo que mostra que o BPA pode ter um aliado inesperado na sua entrada no nosso corpo: a nossa higiene.
É um acto normal utilizarmos desinfectantes e loções para as mãos quando nos encontramos num restaurante. Para serem eficazes, no entanto, estes produtos tornam a pele mais porosa, de modo a que os nutrientes ou desinfectantes possam mais facilmente penetrar nas várias camadas da pele.
É precisamente pela acção de abertura dos poros destes desinfectantes, que o BPA mostrou entrar mais facilmente no nosso organismo. Uma agravante é particularmente importante nos restaurantes de fast food em que uma cadeia de eventos nos leva a utilizar loções desinfectantes, após o que manipulamos os recibos. O BPA que fica na pele é em seguida transferido para as batatas fritas e outros alimentos manuseados e consequentemente ingerido.
Ao todo, os indivíduos participantes no estudo terão ingerido 20 microgramas de BPA, de acordo com os exames à urina. Este valor é negligenciável face à dose diária máxima de 50 microgramas por quilo de peso, ou seja 3,000 microgramas para um indivíduo de porte médio de 60Kg. Mas se para o consumidor final o risco é negligenciável, para funcionários de estabelecimentos comerciais que manuseiem grandes quantidades de recibos ao longo do dia, os riscos para a saúde podem ser maiores.
Mas haverá motivos para receio? Estima-se que a população geral esteja exposta a um milionésimo da dose diária máxima. Ao mesmo tempo, outros estudos têm indicado que não existem actualmente alternativas ao BPA que sejam mais seguras que este.
Máquinas registadoras: uma omnipresença
Não é só nelas que o papel térmico é utilizado e consequentemente revestido com BPA, mas as máquinas registadoras são uma omnipresença no comércio actual. As leis mais recentes, com o objectivo de combater a fraude fiscal, apertaram o cerco ao comércio e criaram incentivos para o pedido de factura, aumentando o número de recibos que todos os dias passam pelas mãos dos Portugueses. Estes são cruciais: nas vendas a dinheiro, são o único meio de prova da aquisição de um serviço. Nas restantes compras, os recibos em papel podem igualmente ser a única prova válida para garantia, devolução ou troca, já que muitos estabelecimentos ainda não possuem procedimentos adequados para a emissão de segundas vias e os registos bancários são de difícil acesso quando já passou um longo período de tempo.
Do ponto de vista contabilístico e legal seria hoje impossível um negócio operar sem uma caixa registadora, enquanto que nenhum estabelecimento pode funcionar com máquinas registadoras avariadas, sob pena de uma inspecção surpresa impor pesadas multas que poderão prejudicar o frágil balanço em que operam os negócios na actual economia fragilizada. Por isso quando a sua máquina registadora avaria, não há outra solução senão proceder à sua reparação ou imediata substituição.
As boas notícias são que a maioria das avarias em máquinas registadoras são de fácil resolução e as empresas que a elas procedem compreendem a urgência com que devem laborar para evitarem prejuízos de maior para os seus clientes. Do lado dos estabelecimentos comerciais a celeridade é igualmente importante: em caso de problemas no hardware ou software, contacte o quanto antes um serviço de reparação e manutenção de máquinas registadoras para minimizar os danos para o seu negócio.






















